{"id":1589,"date":"2019-11-28T18:20:04","date_gmt":"2019-11-28T20:20:04","guid":{"rendered":"https:\/\/expo2019.webmuseu.org\/?p=1589"},"modified":"2019-11-28T18:20:04","modified_gmt":"2019-11-28T20:20:04","slug":"as-aguas-do-parque-municipal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/as-aguas-do-parque-municipal\/","title":{"rendered":"As \u00e1guas do Parque Municipal"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Elisa Marques \u2013 Livro\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/piseagrama.org\/produto\/guia-morador-belo-horizonte\/\" target=\"_blank\">Guia Morador Belo Horizonte<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Avenida Afonso Pena, 1377, Centro <br><br>O Parque Municipal Am\u00e9rico Renn\u00e9 Giannetti est\u00e1 no centro de Belo Horizonte. Inaugurado em 1897, foi constru\u00eddo nos terrenos da antiga Ch\u00e1cara do Sapo, onde viveu o engenheiro Aar\u00e3o Reis durante as obras de constru\u00e7\u00e3o da nova capital mineira. De sua \u00e1rea original de sessenta hectares, permanecem hoje apenas dezoito, devido a diversos desmembramentos ocorridos at\u00e9 os anos 1970, quando foi tombado pelo Estado como bem cultural. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem v\u00e1rios passeios guiados e trilhas para visitantes, tendo como temas os monumentos, a fauna ou a flora do parque; mas para se conhecer o circuito das \u00e1guas, que integra as lagoas, cascatas, fontes e bebedouros, nada como uma volta na companhia do bombeiro-eletricista respons\u00e1vel, o Oliveira. Funcion\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o de Parques Municipais da Prefeitura desde 2008, parece que Oliveira trabalhou ali a vida toda, tamanha a sua dedica\u00e7\u00e3o e o grau de detalhe com que conhece cada canto. Sabe de cor todo o mapa das instala\u00e7\u00f5es de luz e \u00e1gua do parque e se entusiasma ao mostr\u00e1-las e explicar as liga\u00e7\u00f5es entre elas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tour come\u00e7a pela entrada da Alameda Ezequiel Dias, junto \u00e0  qual est\u00e1 um ponto-chave do circuito, o receptor e distribuidor das \u00e1guas de uma nascente localizada sob o pr\u00e9dio da Funda\u00e7\u00e3o Hemominas. No projeto original, a mina integrava a \u00e1rea do parque, mas depois passou a ser parte do terreno da \u00e1rea hospitalar da cidade e a ter sua vaz\u00e3o canalizada diretamente para o ribeir\u00e3o Arrudas. Em 2007, a Prefeitura remanejou esse trajeto, direcionando-o novamente para o interior do parque, de maneira a aproveitar a \u00e1gua naturalmente limpa para abastecer suas lagoas e compor seu projeto paisag\u00edstico. Desde ent\u00e3o, h\u00e1 ali um arranjo entre tr\u00eas principais fontes de \u00e1gua: da Mina do Hemominas, da Copasa e de po\u00e7os artesianos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Originalmente, as lagoas eram abastecidas principalmente pelas \u00e1guas do c\u00f3rrego do Acaba Mundo, que nasce no p\u00e9 da serra do curral, na regi\u00e3o onde ficam hoje as pra\u00e7as Alasca e JK, no final do bairro Sion. O c\u00f3rrego desce, canalizado, pela avenida Uruguai, passa pela rua Professor Morais, pela Pernambuco e finalmente chega \u00e0 avenida Afonso Pena, por onde segue at\u00e9 entrar no parque. Recentemente descobriu-se em frente ao Pal\u00e1cio das Artes uma galeria subterr\u00e2nea de cinco metros de altura, constru\u00edda em forma de arcos de cantaria em 1898 para a passagem do rio. Mas o Acaba Mundo recebe fluxos de esgoto e de chuva desde a funda\u00e7\u00e3o da cidade e as lagoas do parque se tornaram insalubres. O seu curso foi ent\u00e3o desviado e canalizado tamb\u00e9m no interior do parque e hoje se pode apenas ouvi-lo, sob uma enorme tampa em concreto. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cascata do Quiosque \u00e9 o primeiro ponto de passagem do fluxo que hoje vem da mina. Em meio a arbustos e pedras, a \u00e1gua corre livre pelo solo, seguindo at\u00e9 a Lagoa do Quiosque. Como ela \u00e9 aberta e de f\u00e1cil acesso, as pessoas gostam de tomar banho e lavar roupas ali, o que a guarda municipal e outros funcion\u00e1rios do parque se esfor\u00e7am para impedir. Dentro do quiosque, no centro da lagoa, fica uma est\u00e1tua em m\u00e1rmore em homenagem a Deusa das \u00c1guas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oliveira gosta de dizer que a Cascata do Quiosque tem uma filha, cascatinha dos Marrecos, que tamb\u00e9m recebe uma parte de sua \u00e1guas. Quando \u00e9 tempo de seca e o volume diminui, uma v\u00e1lvula \u00e9 ativada para a combina\u00e7\u00e3o com um dos po\u00e7os artesianos. A cascatinha, portanto  tamb\u00e9m \u00e9 sempre pura. &#8220;N\u00e3o tem cloro, n\u00e3o tem nada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perto dos brinquedos, est\u00e1 a Cascatinha de S\u00e3o Francisco de Assis, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de orat\u00f3rio dedicado ao santo protetor dos animais. Ela fica em uma pra\u00e7a onde aconteciam os encontros dos &#8220;Caminhantes do Parque&#8221;, um projeto para a recupera\u00e7\u00e3o de dependentes qu\u00edmicos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da mina do Hemominas, todas as tr\u00eas lagoas \u2014 do Quiosque, dos Marrecos e dos Barcos \u2014 t\u00eam nascentes em seu interior. Nos fundos acimentados dessas lagoas foram deixados propositalmente alguns buracos, para a entrada das \u00e1guas que brotam do subsolo. H\u00e1 ainda outro olho d&#8217;\u00e1gua dentro do parque, que pouca gente conhece. Oliveira explica que nas imedia\u00e7\u00f5es do Othon Palace Hotel todo o solo \u00e9 permeado por \u00e1gua. Como aquela regi\u00e3o \u00e9 mais elevada, formam-se fluxos difusos que escorrem e se encontram naturalmente, passando por debaixo da avenida Afonso Pena e chegando at\u00e9 o parque. L\u00e1 dentro, nos jardins que ficam abaixo do Teatro Francisco Nunes, h\u00e1 uma vala subterr\u00e2nea que centraliza toda essa \u00e1gua e faz com que ela escorra at\u00e9 a Lagoa dos Barcos. \u00c9 poss\u00edvel ver essa vala ao levantar algumas tampas de ferro que ficam ali, na grama. Os jardineiros comentam que, se n\u00e3o existisse essa drenagem, ali haveria um brejo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros elementos importantes do circuito das \u00e1guas s\u00e3o os bebedouros. O Bebedouro dos Burros \u00e9 uma esp\u00e9cie de po\u00e7o que se localizava originalmente na pra\u00e7a da Rep\u00fablica, atual pra\u00e7a Afonso Arinos. Os tropeiros que antigamente atravessavam a cidade passavam por l\u00e1 para refrescar seus animais. Agora instalado no parque, ele ganhou um chafariz que atrai os visitantes em \u00e9poca de calor. Os cavalos da pol\u00edcia tamb\u00e9m gostam de passar por ali. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 outros bebedouros antigos usados pelos visitantes. S\u00e3o o Bebedouro da Jaqueira, com cinco bicos, o dos Le\u00f5es, na Pra\u00e7a do Sol, e o da Lagoa dos Barcos. Atualmente sete novos pontos de \u00e1gua pot\u00e1vel foram instalados e outros tr\u00eas est\u00e3o por vir. S\u00e3o bebedouros em a\u00e7o, acionados por pedais, &#8220;muito mais higi\u00eanicos e econ\u00f4micos&#8221;, defende Oliveira. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim do passeio, Oliveira conclui: &#8220;Tem muita \u00e1gua aqui. Minas Gerais, o Estado j\u00e1 traz no nome o que ele \u00e9, cheio d&#8217;\u00e1gua.&#8221; Nascido em Montalv\u00e2nia, no norte do estado, Oliveira cresceu perto do rio Carinhanha, que passa no fundo do quintal da casa de sua m\u00e3e. Por isso, diz que n\u00e3o pode viver longe da \u00e1gua, como o sapo. Para matar a saudade de seu rio, caudaloso e corredeiro, o carrega consigo em seu celular, em um v\u00eddeo gravado nas \u00faltimas f\u00e9rias. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Se voc\u00ea gostou deste texto n\u00e3o vai querer perder o post da pr\u00f3xima semana, que contar\u00e1 mais sobre a hist\u00f3ria e as curiosidades do Parque Municipal!<\/p><\/blockquote><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atravesse, com Elisa Marques, as muitas \u00e1guas que alegram o Parque Municipal de Belo Horizonte. Um texto do livro Guia Morador Belo Horizonte.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1594,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[3,4],"tags":[21,23],"class_list":["post-1589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historias-de-bh","category-literatura","tag-livro","tag-parque-municipal"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2019\/11\/Lago_do_Parque_Municipal_de_Belo_Horizonte.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tainacan.eci.ufmg.br\/cidadepalimpsestica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}